Limite: Qual a medida certa?



Uma reflexão sobre limites na educação de nossas crianças


Muitos pais hoje em dia tem sérias dificuldades em estabelecer limites para os filhos e em dar fim as discussões e a pequenas questões simples do dia a dia, sendo incapazes de exercer sua autoridade junto aos filhos.
De uma maneira geral, parece que as mães (principalmente as que trabalham fora), apresentam este tipo de dificuldade em maior grau que os pais.
Sem saber como agir diante da nova relação, os pais abandonaram a postura excessivamente rígida. O problema é: como encontrar a medida certa entre o sim e o não
Essa dúvida também ocorre com alguns professores.
Algumas tendências pedagógicas contribuíram para alterar a relação professor-aluno e pais-filhos. Priorizaram: atendimento às necessidades individuais, adaptação das necessidades individuais ao meio social, a escola deve retratar a vida, o conteúdo não é prioritário, relação professor-aluno, a não intervenção, o respeito e a aceitação plena do aluno como pessoa e apoio total ao desenvolvimento pleno e livre da criança.
Apesar de apoio a estas idéias, surgiram algumas conseqüências indesejáveis e não previstas pelos autores das teorias, como: a dificuldade do professor estabelecer limites entre a liberdade que pretendiam dar aos alunos e a autoridade que precisavam ter em determinados momentos; descompromisso com a aprendizagem e com os conteúdos de ensino.
Quanto aos pais, estas linhas encontraram receptividade nas idéias: dialogar com os filhos, compreender o enfoque das crianças, evitar frustar, dar liberdade, estimular a criatividade, etc.
Da mesma forma, porém, que na escola, que tais idéias foram interpretadas de forma radical, o mesmo ocorreu com os pais, que passaram a crer, talvez sem muita consciência disso, que qualquer limitação, deveria ser evitada, a qualquer custo, sob a pena de não serem pais modernos¨, ou de estarem podando ou castrando a potencialidade dos filhos.
Os pais parecem ter desaprendido, por exemplo, como dizer um simples não, de forma convincente, quando precisam negar alguma coisa aos filhos. Na maior parte das vezes, esse não soa como um sim.
As coisas não foram mais fáceis para os nossos pais, não. As crianças não mudaram. São e serão, insistentes quando quiserem alguma coisa, foram os pais que mudaram: antes eles tinham certeza do que pretendiam em relação aos filhos e, por isso mesmo, não davam possibilidades de tantas discussões acerca das coisas simples como: hora de dormir, comer ou não determinados alimentos, hora de estudar, etc. Todas as questões que eram coisas definidas e definitivas para os pais da geração anterior, não são mais hoje.
Não se sabe se esta mudança de atitude é boa ou ruim, porque não é uma escolha pessoal, interior; mas uma atitude que julgam ser o moderno.
Deixam as crianças fazerem de tudo, não limitam nada. É claro que, depois de algum tempo, quando o limite de sua paciência se esgota, tentam dizer não. Muitas vezes, tem vontade de limitá-los desde o início, mas só o fazem quando estão cansados, quando não agüentam mais. Desta formas, estimulam a criação de um círculo vicioso, em que a criança, percebendo sua força, passa a repetir o mesmo comportamento em outras ocasiões
Diante do enfoque do filho, como é que se pode querer que ele entenda essas mudanças Porque antes ele podia e agora não pode Fica difícil compreender e, portanto aceitar.
O grande problema consiste no fato dos pais não saberem mais se é ou não correto deixar ou não deixar, fixar ou não padrões e regras de comportamento. Freqüentemente quando chegam a fazê-lo, o que fazem em momento de descontrole, não sendo este o momento e a situação adequada. Já no momento seguinte, voltam a ceder às pressões dos filhos, porque não estão certos da atitude tomada anteriormente.
Na verdade, a impressão que se tem é que os pais se obrigam a um comportamento no qual não acreditam verdadeiramente, mas que se impõe, porque lhes parece ser a forma atualmente correta de educar.
Muitos pais perderam tanto espaço na relação com os filhos, devido à falta de coragem de dizer a estes, sem sentir culpas depois, que eles também têm seus direitos e que estes devem ser respeitados, para que não haja anulação dos pais como indivíduos. O medo impede os pais de agir de forma espontânea. Eles próprios não conseguem ter consciência de até onde agem porque assim desejam ou por temerem anular o potencial dos filhos. Temem sempre, no íntimo, que estejam errando, frustrando os filhos.
Não menosprezemos nossos filhos. Sejamos firmes, mas não indelicados, seguros, não agressivos. Apenas isso. Espera-se que os pais, adultos, tenham suficiente equilíbrio e bom senso para perceber a hora certa de uma negativa e mostrar claramente os limites. Sentir limites é para a criança uma questão de segurança, uma necessidade básica, mostrando que alguém se preocupa com ela e a protege. Somente com direitos e deveres de ambas as partes é que se poderá construir uma relação equilibrada, saudável e democrática.

Texto extraído e adaptado do livro
Sem padecer no paraíso de Tânia Zagury.

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